Selic em 15%: O pico antes da descida
Em 28 de janeiro de 2026, o Comite de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano (Fonte: Banco Central do Brasil / Copom, fev/2026) —o maior patamar em quase 20 anos, desde julho de 2006. Porém, no mesmo comunicado, o Copom fez algo inédito neste ciclo: sinalizou explicitamente o início de cortes na próxima reunião, em março de 2026.
A frase-chave do comunicado: "O Comite antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação a meta." Essa sinalização mudou o cenário para investidores. O ciclo de alta acabou. O próximo movimento é para baixo.
O que diz o Boletim Focus
O Boletim Focus —pesquisa semanal do Banco Central com mais de 100 instituições financeiras —projeta a seguinte trajetória para a Selic:
Entre as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias uteis, a mediana já aponta para 12,00% no fim de 2026 e 10,00% no fim de 2027 —um sinal de que o mercado começa a precificar cortes mais agressivos. O Itau projeta 12,75% ao fim de 2026, enquanto algumas casas mais otimistas trabalham com 11,50%.
A projeção de inflação (IPCA) para 2026 foi reduzida para 3,97% no Boletim Focus de fevereiro, abaixo do teto da meta de 4,5%, o que reforça o espaço para flexibilização monetária. Em resumo: o consenso do mercado é de que a Selic terá caido entre 2,25 e 3 pontos percentuais até o fim de 2026.
Fonte: Banco Central do Brasil —Ata do Copom (jan/2026) e Boletim Focus (fev/2026). Projeções de mercado consolidadas pela Reuters e InfoMoney.
Por que juros baixos valorizam imóveis
Juros baixos valorizam imóveis por três razões: crédito mais barato aumenta o número de compradores, investidores migram capital da renda fixa para ativos reais, e a demanda aquecida pressiona preços para cima. No ciclo anterior (2016-2020), imóveis em Florianópolis valorizaram mais de 40%.
A relação entre taxa de juros e mercado imobiliário opera por três mecanismos simultâneos que se reforçam mutuamente:
1. Crédito mais acessível
Juros menores significam prestações menores. Uma queda da Selic de 15% para 12% pode reduzir a parcela de um financiamento imobiliário em 10% a 15%, trazendo milhões de famílias de volta ao mercado. Atualmente, a Caixa Econômica Federal pratica taxas a partir de 10,26% + TR para clientes com relacionamento completo, e já estabeleceu um teto de 12% ao ano para financiamentos da classe média (renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil).
2. Mais demanda, mesma oferta
Com crédito mais barato, a demanda por imóveis cresce. Porém, a oferta de novos empreendimentos não acompanha na mesma velocidade —obras levam 24 a 36 meses para serem entregues. Esse descompasso entre demanda crescente e oferta limitada é o motor da valorização.
3. Migração de capital
Com a renda fixa rendendo menos, investidores buscam ativos reais com potencial de valorização. Imóveis tornam-se mais atrativos em comparação a CDBs, Tesouro Direto e fundos DI quando a Selic cai. É um efeito de rebalanceamento de portfolio que amplia ainda mais a demanda.
Dado ABECIP: O financiamento imobiliário deve crescer 16% em 2026, alcançando R$ 375 bilhões. As concessões via poupança (SBPE) devem avançar 15%, para R$ 180 bilhões, e os recursos livres (CRIs) devem crescer 66%.
Ciclo 2016-2020: O que aconteceu quando a Selic caiu
O último grande ciclo de queda da Selic começou em outubro de 2016, quando a taxa estava em 14,25% —patamar muito próximo ao atual. Ao longo de 4 anos, a Selic caiu continuamente até atingir a mínima histórica de 2% em agosto de 2020. O que aconteceu com o mercado imobiliário nesse período oferece um guia valioso para o momento atual.
Selic a 14,25% — Início dos cortes
Mercado imobiliário ainda em recuperação. Preços estagnados, FipeZap registrando desvalorização de -0,53% ao ano em 2017. Momento de compra a preços deprimidos.
Selic entre 6,5% e 5% — Retomada do crédito
Financiamentos imobiliários voltam a crescer. Demanda se aquece. Preços iniciam recuperação gradual. Lançamentos imobiliários aumentam.
Selic entre 4,5% e 2% — Boom imobiliário
Crédito imobiliário atinge recordes. Vendas de imóveis novos disparam. FipeZap volta a registrar valorização real. Quem comprou em 2016–2017 já acumula ganhos expressivos.
Rendimento médio anual (2009–2019)
Segundo a Abrainc, investimentos em imóveis renderam em média 15,3% ao ano na década, somando valorização de 9,4% e renda de aluguel de 5,9%. Superou a renda fixa no período.
A lição do ciclo 2016-2020 é clara: quem comprou antes ou no início da queda dos juros capturou a maior valorização. Quando os juros já estavam em 2%, os preços já tinham subido significativamente —a oportunidade de entrada havia passado.
Em fevereiro de 2026, estamos em um ponto análogo a outubro de 2016: Selic próxima de 15%, com sinalização clara de cortes à frente. A história não se repete identicamente, mas os mecanismos econômicos são os mesmos.
Florianópolis: por que a Ilha é diferente
Florianópolis não é apenas uma das capitais mais valorizadas do Brasil —é um caso singular de fundamentos sólidos que sustentam valorização consistente, independentemente do ciclo econômico. E quando o ciclo favorece, como agora, os resultados são amplificados.
Os 5 fundamentos de Florianópolis
1. Oferta limitada por geografia. Florianópolis é uma ilha. A área disponível para construção é naturalmente restrita, e a legislação ambiental é rigorosa. Isso cria uma escassez estrutural que impede excesso de oferta —um dos maiores riscos do mercado imobiliário.
2. Demanda crescente e diversificada. A população saltou de 421 mil (2010) para 537 mil (2022), um crescimento de 27,5% em 12 anos —quase quatro vezes a média nacional. É a população estimada para 2025 e de 587 mil habitantes. A demanda vem de moradores, investidores, aposentados e profissionais remotos atraídos pela qualidade de vida.
3. Polo turístico internacional. Florianópolis é o 8º destino mais reservado do mundo para 2026, segundo o ranking da eDreams ODIGEO. Santa Catarina recebeu mais de 600 mil turistas internacionais em 2025, com crescimento de 66% no turismo internacional. Mais de 1 milhão de passageiros internacionais transitaram pelo aeroporto em 2025. Isso sustenta a renda de aluguel por temporada.
4. Outperformance consistente. Florianópolis valorizou 8,65% em 2025, superando a média nacional de 6,52% (FipeZap). Nos últimos anos, a cidade tem se posicionado entre as capitais com maior valorização imobiliária, superando São Paulo (R$ 11.900/m²) e Rio de Janeiro (R$ 10.830/m²) em preço por metro quadrado.
5. Infraestrutura em expansão. Novos voos internacionais, duplicação de rodovias, ponte continental e investimentos em saneamento continuam elevando o padrão da cidade. Cada investimento em infraestrutura adiciona valor aos imóveis das regiões beneficiadas.
Para comparar bairros dentro deste cenário, veja minha leitura dos melhores bairros para investir.
| Capital | m² Médio (R$) | Valorização 2025 | Posição |
|---|---|---|---|
| Vitoria | R$ 14.108 | +15,13% | 1a |
| Florianópolis | R$ 12.773 | +8,65% | 2a |
| São Paulo | R$ 11.900 | +4,56% | 3a |
| Curitiba | R$ 11.686 | +9,08% | 4a |
| Rio de Janeiro | R$ 10.830 | +5,21% | 5a |
Fontes: Índice FipeZap (dez/2025), IBGE Censo 2022, eDreams ODIGEO Year in Travel 2026, Embratur.
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Falar comigoO efeito duplo: SPE a preço de custo + queda de juros
A queda dos juros pode mudar a atratividade relativa dos imóveis, mas a leitura precisa ser feita com cuidado. Quando essa tese é combinada com o modelo SPE (Sociedade de Propósito Específico), eu olho preço de entrada, prazo de obra, CUB, contrato e comparáveis antes de falar em vantagem.
No modelo SPE, o comprador participa de uma estrutura de preço de custo, com taxa de administração e regras próprias de governança. A comparação só faz sentido quando o custo final projetado é colocado lado a lado com imóveis equivalentes, custos extras e liquidez esperada.
Como funciona a alavancagem dupla
Leitura 1 — preço de custo: Ao comparar uma unidade em SPE com imóveis convencionais equivalentes, a análise precisa olhar tabela, contrato, prazo, reajuste e custo final projetado. A vantagem só existe se a conta se sustentar nos comparáveis.
Leitura 2 — cenário de juros: Se a Selic cair ao longo do período de obra, a demanda por imóveis pode melhorar. Ainda assim, preço de saída depende de localização, produto, liquidez, ciclo de mercado e condições de financiamento na entrega.
A combinação desses dois vetores pode criar uma tese interessante, mas só entra no radar quando o custo final provável, o contrato e os comparáveis sustentam a leitura.
Como eu leio 2026
2026 merece atenção porque: juros elevados, expectativa de mudança no ciclo de crédito, custos de obra e demanda por imóveis precisam ser lidos juntos. Eu não trataria o ano como recomendação automática; trataria como um contexto para comparar boas oportunidades com mais critério.
O mercado imobiliário opera com defasagem. Quando o Copom corta a Selic, o efeito nos financiamentos demora de 3 a 6 meses para ser sentido, com maior intensidade no 3º e 4º trimestres. Porém, os preços dos imóveis começam a se ajustar antes, já na expectativa.
Isso pode criar janelas de entrada, mas eu só avançaria quando o preço de hoje, o fluxo de pagamento, o contrato e a liquidez esperada compensam o risco assumido.
Por que agora e não daqui a 6 meses
Preços de pré-lançamento ainda disponíveis. Empreendimentos SPE em Florianópolis estão em fase de pré-lançamento com preços de custo que não incorporam a valorização futura. A partir do 2º semestre de 2026, com os cortes já em andamento, novos lançamentos tendem a ajustar preços.
Unidades disponíveis se esgotam. Empreendimentos como o IMOB TRINDADE ON entram em lançamento com mais opções para comparar tipologia, valor total e fluxo de pagamento. A velocidade de venda tende a acelerar quando as condições de crédito melhoram.
O novo modelo de crédito imobiliário está chegando. O Banco Central prepara uma mudança relevante no crédito imobiliário, com novo modelo de financiamento que começa a ser testado em 2026 e pode reduzir juros a partir de 2027. Se isso se materializar, parte da demanda reprimida pode voltar ao mercado.
Cenários de valorização: compra em 2026
Cenários de valorização para compra em 2026: apartamento SPE adquirido a R$ 641.858,16 pode alcançar R$ 810.331,14 (cenário conservador, 6% a.a.), R$ 892.808,61 (moderado, 8,6% a.a.) ou R$ 984.962,56 (otimista, 11,3% a.a.) até 2030, baseado em dados históricos do FipeZap e Abrainc.
Simulação para um apartamento SPE adquirido em 2026 a R$ 641.858,16 (preço de custo), com entrega em 2030. Três cenários de valorização baseados em dados históricos do FipeZap e Abrainc.
Diferença bruta: +R$ 168 mil
Cenário: +26,2%
Diferença bruta: +R$ 251 mil
Cenário: +39,1%
Diferença bruta: +R$ 343 mil
Cenário: +53,5%
Premissas da simulação: valor de entrada de R$ 641.858,16 como referência de unidade SPE, valorização anual hipotética durante quatro anos e cenários apenas ilustrativos. Eu usaria essa conta para comparar sensibilidade, não para prometer preço de saída.
Importante: esses valores não incluem custos de venda, impostos, vacância, mobília, gestão, reajustes pelo CUB durante a obra nem prazo real de liquidez. Valorização passada não garante retorno futuro.
Riscos e considerações
Nenhuma análise de investimento está completa sem uma avaliação honesta dos riscos. Estes são os principais fatores que podem afetar a tese de investimento.
Selic pode não cair no ritmo projetado
Se a inflação surpreender para cima ou houver choques externos, o Copom pode desacelerar ou pausar os cortes. O Boletim Focus já revisou projeções para cima no passado recente. 2026 é ano eleitoral, o que pode gerar incerteza fiscal.
Custos de construção pressionados
O INCC-M acumulou alta de 6,10% em 2025 (FGV), com pressão significativa do componente de mão de obra. A escassez de profissionais na construção civil pressiona custos e pode impactar o preço final de empreendimentos SPE, que são reajustados pelo CUB/INCC.
Liquidez limitada
Imóveis não são ativos líquidos. Diferente de ações ou títulos, vender um imóvel pode levar meses. Investidores devem considerar horizonte mínimo de 3 a 5 anos e não comprometer reservas de emergência.
Riscos específicos de cada empreendimento
Atrasos de obra, variação de custos acima do previsto e alterações regulatórias podem afetar empreendimentos individuais. É fundamental avaliar a construtora, a gestora da SPE e as condições contratuais antes de investir.
Mitigação: os riscos acima precisam entrar na análise. No modelo SPE, transparência, governança, patrimônio de afetação e gestão profissional podem ajudar, mas não eliminam risco de obra, custo, prazo ou liquidez.
Empreendimentos SPE em Florianópolis
Três empreendimentos em pré-lançamento com preços de custo disponíveis. Cada um com posicionamento distinto para diferentes perfis de investidor.
Terrá Jurerê
Jurerê Internacional — SPE a preço de custo, reajuste CUB, entrada parcelada em obra.
Saiba mais sobre o Terrá Jurerê →IMOB TRINDADE ON
Trindade — SPE a preço de custo com compactos urbanos e demanda fora da temporada.
Saiba mais sobre o IMOB TRINDADE ON →Ondara Residence
Canasvieiras — SPE com tipologias studios e 1 dormitório, ideal para renda com aluguel por temporada.
Saiba mais sobre o Ondara Residence →